sexta-feira, 12 de novembro de 2010

acordo, apesar de ainda estar dormindo. contrariado, abro os olhos, mesmo com todo o universo ao meu redor conspirando para que eles se mantivessem fechados. e o sol, só de raiva, resolveu colorir todo e qualquer grão de poeira com o mais cruel dos amarelos, daqueles que te envergonham por ainda estar dormido numa tão bela manhã. esse amarelo te fura os olhos e te faz ver que nem sempre é bom implorar pra que a chuva acabe. tudo que eu queria era novamente mergulhar em lençois, fronhas e travesseiros do mais branco algodão, e voltar ao meu sonho do exato momento em que parei. momento sublime em que vi meu corpo desaparecer em fibras, não mais senti nada além de sangue fluindo por minhas veias e o toque frio das tuas mãos. não havia nada lá, além de fantasmas que sorriam. não saberia dizer. não saberia o que dizer. eu me esqueceria das palavras, das coisas, inclusive dessa necessidade involuntária que sinto de respirar toda vez que acordo. por quê é que eu não paro de respirar quando os lençóis me pegam emprestado de ti, quando perco o controle sobre mim? pra quê respirar? ou melhor, por que é que eu não tenho a opção de escolher quando, como e com que intensidade respirar? é tentando esclarecer um monte de dúvidas como essa que perco o controle sobre mim, acordado, por opção, quando já é hora de dormir. sabes como é dormir acordado? ver-se fazendo as coisas que tu normalmente fazes, só que sem ter esse controle, o livre arbítrio.

- beeshop

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